Sem citar diretamente a gestão municipal, secretário defende critérios técnicos na folia
O secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, demonstrou preocupação com os imprevistos operacionais que marcaram o Carnaval de Salvador em 2026, citando especificamente a judicialização envolvendo a saída do trio da cantora Daniela Mercury.
Durante balanço oficial realizado nesta quarta-feira (18), no Campo Grande, o titular da Secult defendeu que a organização da festa precisa de ajustes urgentes para evitar que disputas de horários e ordens de desfile terminem nos tribunais.
“Me entristece ver o Carnaval judicializado. Isso não é vontade de uma ou outra pessoa, mas consequência de problemas na organização que devemos trabalhar para melhorar”, afirmou Monteiro. O secretário destacou que a mudança de ordem com o circuito já em andamento, com trios passando à frente de outros na concentração, é prejudicial para artistas, foliões e para a própria gestão da festa.
“Grande, ampla, profunda e sincera avaliação”
Sem citar diretamente a prefeitura comandada por Bruno Reis (União Brasil), Monteiro sugeriu que “todos os envolvidos no Carnaval de Salvador” sigam a prática de avaliação e balanço do governo estadual.
“Eu não deixo passar o tempo para as pessoas esquecerem e esfriar o clima. Passou o carnaval, semana que vem a gente sempre faz uma avaliação, anota tudo, o que deu certo, o que deu errado”. Segundo o secretário, os dados coletados no balanço são utilizados no início da preparação para o próximo carnaval, que começa a ser organizado entre julho e agosto do ano anterior.
“O nosso planejamento tem melhorado ao longo dos anos, porque a gente consegue fazer essa avaliação. Eu sugiro para todos os envolvidos no Carnaval de Salvador que nós façamos a mesma coisa”, disse Monteiro.
Ele propôs que os responsáveis não deixem “passar meses”. “Que no máximo daqui a duas semanas se faça uma grande, ampla, profunda e sincera avaliação sobre o Carnaval, para que nós possamos enfrentar todas as questões colocadas”, afirmou.
“Guerra de fantasia e música, não de espaço”
Para o secretário, o caminho para evitar novos conflitos passa pela adoção de critérios mais técnicos, públicos e transparentes na definição da grade de desfiles. “Todo ano isso fica confuso. Defendo uma discussão democrática para evitar qualquer tipo de constrangimento. A disputa no Carnaval deve ser pela melhor música ou melhor fantasia, não uma guerra de espaço”, disse.
Sobre a ampliação do calendário da folia para o próximo ano, ele avaliou a medida como positiva para enfrentar a superlotação, especialmente no circuito Dodô (Barra-Ondina), permitindo uma melhor distribuição do fluxo de pessoas.
BAHIA.BA
